29/06/2004 20:32
PRISCILLA, A RAINHA DO DESERTO
(The adventures of Priscilla, queen of the desert)
Dirigido por Stephan Elliot
A drag queen Mitzi (Hugo Weaving), ou Tick quando está "à paisana", cansada da vida em Sidney, recebe um telefonema da ex-mulher lésbica Marion (Sarah Chadwick), gerente de um hotel em Alice Springs, convidando-o para apresentar seu show de transformistas no hotel. Tick convida a colega Felicia (Guy Pearce), ou Adam, uma drag desbocada e muito louca, e a transexual Bernardette (Terence Stamp), que acaba de ficar viúva, para atravessarem o país num ônibus psicodélico batizado de Priscilla, rainha do deserto. Nessa viagem, os três encontram preconceito, violência e também a inesperada simpatia de um grupo de aborígenes. Bernardette encontra até o amor, na pessoa do mecânico Bob (Bill Hunter), e Tick é obrigado a se confrontar com seu medo de assumir a paternidade do garoto Benji (Mark Holmes).
Grande parte do humor de Priscilla é derivado do contraste entre figuras tão urbanas quanto as drag queens e o rústico e inóspito deserto australiano. Priscilla funciona porque seus personagens são complexos e extremamente bem construídos. O filme não paternaliza os personagens, mostrando-os com todas as suas contradições, mesquinharias e humanidade, ao contrário por exemplo daquela terrível imitação americana batizada de Para Wong Foo, obrigada por tudo, Julie Newmar.
A trilha sonora recheada do que há de mais gay na música disco dos anos 70, incluindo de Gloria Gaynor e Village People ao grupo Abba, e os figurinos inacreditáveis contribuem para a delícia que é assistir esse filme. Algumas das cenas inesquecíveis: Adam no teto do ônibus de vestido de cauda prateado dublando uma ária de Verdi; o aborígene (Alan Dargin) que se monta para dublar I will survive; a oriental desbocada (Julia Cortez) que apresenta um infame número envolvendo bolinhas de ping-pong; o "cocozinho" que Adam guarda como se fosse uma relíquia de uma das cantoras do Abba; as três amigas subindo as rochas de vestido e tênis; e o espetáculo que apresentam no hotel, com figurinos que "homenageiam" a fauna e a flora australianas.
Priscilla é um filme que realmente celebra as diferenças e a diversidade, com humor e sem demagogia.
Publicado no Lost in themovies no dia 21 de julho de 2003.
enviada por will robinson
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?) |