10/08/2004 22:04
PACIENTE ZERO
(Zero patience)
Dirigido por John Greyson
"If patience is a virtue, then I`m a sinner from hell
Cause we only want one thing:
We just want to be well
If patience is a virtue, then I`ve got none."
(John Greyson, Glen Schellenberg - Zero Patience)
Vi esse filme na época em que foi exibido aqui em São Paulo, em 1993 ou 94, e gostei tanto que depois tentei inutilmente encontrá-lo em vídeo ou DVD. Isso até sexta-feira passada, quando o filme foi escolhido para abrir a mostra especial de filmes sobre AIDS no Espaço Unibanco e assim tive a chance de revê-lo e confirmar a ótima impressão que tive dele.
Na época em que foi exibido, o filme foi recebido a pedradas pela crítica, que não achou graça dessa versão musical e paródica sobre o surgimento da AIDS. Vendo o filme hoje constato que ele estava muito à frente de seu tempo, inclusive levantando questões bastante atuais como o alto preço das drogas contra a doença e o direito dos pacientes a uma medicação gratuita, questão na qual o Brasil tem sido pioneiro. Talvez a produção canadense não tenha agradado a princípio por ter sido feita numa época em que AIDS ainda era sinônimo de morte certa e lenta, e muita gente não suportar ver o assunto tratado com humor. Na minha opinião, e sei que muita gente não concorda, acho que o humor é uma maneira bastante saudável de se tratar de um assunto tabu -- desde que esse humor não seja grosseiro, apelativo ou preconceituoso.
Paciente Zero é uma fantasia que parte do princípio de que o aventureiro e escritor inglês do século XIX, sir Richard Burton (John Robinson), que entre outras coisas traduziu as Mil e uma Noites e o Kama Sutra para o inglês, não só ainda está vivo como é jovem e belo graças a uma Fonte da Juventude e vive no Canadá como taxidermista de um museu de história natural. Entediado com seu trabalho, Burton, que é chamado de Dick (ou Pinto na tradução brasileira) pelos mais íntimos, resolve investigar a vida do comissário de bordo franco-canadense que era considerado o primeiro homem a trazer a AIDS para a América, e por isso passou para a História como o Paciente Zero (o lindo Normand Fauteux). Sua pesquisa acaba trazendo o fantasma de Zero do além para desmistificar os mitos que cercam a doença e acabar com o preconceito em relação ao tema -- e ainda, de quebra, seduzir o vitoriano sir Richard.
Essa história é contada no formato de um musical camp com uma sonoridade de teclados-anos-80, e as canções servem para que alguns dos "culpados" pela epidemia da AIDS, incluindo gays, toxicômanos, macacos africanos e até mesmo o vírus HIV, na pele de uma drag queen interpretada pelo ator Michael Callen, que morreu da doença logo após as filmagens e a quem o filme é dedicado, possam se defender e desmentir a idéia de que precise haver um "culpado" por uma doença. A ótima trilha sonora, assinada pelo diretor John Greyson e por Glen Schellenberg, inclui até um impagável dueto entre dois cus -- isso mesmo, só vendo pra acreditar!
Paciente Zero pode não ser um filme para todos os paladares, mas no mínimo tem o mérito de abordar um tema polêmico e delicado de uma maneira totalmente original e única.
"I`m positive I`m here
I`m positive I care
I`m positive that there`s nothing to be sure of
I'm positive, I`m positive, I`m positive I'm alive
I'm positive that I`m going to die...
Sometime"
(John Greyson, Glen Schellenberg - Positive)
enviada por will robinson
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