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Filmes de cabeceira

31/12/2004 18:32
O PADRE
(Priest)
Dirigido por Antonia Bird



Depois de assistir o lindo Má Educação, do Almodóvar, me deu vontade de rever este belo drama de estréia da inglesa Antonia Bird na direção.

Logo no começo do filme, vemos o padre Ellerton (James Ellis) pegando uma cruz e investindo com ela contra a janela da casa do bispo (Rio Fanning). Ficamos logo curiosos para conhecer a história desse padre e os motivos de sua revolta, mas na verdade o filme não é sobre ele e sim sobre o jovem padre que o substitui, Greg Pilkington (o lindo Linus Roache, que recentemente pôde ser visto como o vilão do desastroso Os Esquecidos). Logo que chega, Greg já mostra que é o oposto do outro padre da paróquia, Mathew Thomas (Tom Wilkinson). Enquanto este se preocupa com as questões sociais e procura ser um homem informal e carinhoso em sua relação com os paroquianos, Greg mostra ser um padre conservador e rígido, embora tenha que aceitar o fato de seu colega viver maritalmente com Maria (Cathy Tyson), uma mulher negra. Mas o conservadorismo de Greg é apenas uma fachada para esconder seu segredo: o rapaz é homossexual e de vez em quando troca a batina por uma jaqueta de couro e vai se divertir em bares gays, onde conhece e se apaixona pelo jovem Graham (Robert Carlyle, que depois faria uma bela carreira em filmes como Trainspotting e Ou tudo ou nada).

Esse, porém, não é o único conflito do padre Greg. Ao ouvir a confissão da adolescente Lisa (Christine Tremarco), Greg descobre que ela sofre abuso sexual por parte do pai (Robert Pugh), sem que a mãe (Lesley Sharp), uma ativa colaboradora da igreja, desconfie de nada. Devido ao dogma do segredo da confissão, Greg nada pode fazer para diminuir o sofrimento da garota, e as coisas só pioram quando ele é pego em flagrante com seu namorado.

O padre não é o primeiro nem será o último filme a explorar as contradições da Igreja Católica, mas com certeza é um dos mais sensíveis e delicados ao tratar dos tabus do celibato clerical e do segredo da confissão. Greg em nenhum momento questiona sua vocação, e numa conversa com o padre Ellerton, o revoltado do começo do filme, este lhe diz com muita propriedade que celibato e vocação são duas coisas muito diferentes. No mesmo diálogo, Greg revela ao colega que quando olha para a imagem de Cristo pregado na cruz, em busca de consolo, tudo o que ele vê é um homem nu, extremamente atraente! Ou seja, o filme de Antonia Bird não tem medo de colocar o dedo na ferida e escandalizar os católicos mais pudicos, o que realmente aconteceu quando do lançamento do filme, a ponto do protagonista Linus Roache ter de se afastar do cinema por alguns anos e ir estudar meditação na Índia, a fim de fugir da polêmica.

O padre não tem exatamente um final feliz e apaziguador, mas é um dos finais mais bonitos e catárticos da história do cinema.
enviada por will robinson






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